O Belo

O Belo

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Soneto da Doce Menina (Bela Flor)

Ser a flor mais ditosa dos amores…
Educo-te: e lês a alma dos meus lares;
Ter-se o lirismo, e lês os meus alçares,
Sou bem-amado, como vês as dores.
Ser a flor mais bonita dos ardores…
Era a música da lua, os meus mares
És tão perfeita ao véu, os meus cantares…
Sou bem-querido, como vês as flores.
Eras a musa do amor, os meus beijos…
Resvalo a tua escada, a vê-la o sol!
Beija-me a boca! Mata-me os desejos!…
Solta o cabelo, a vivê-lo o perfume…
E no teu banho, as flores do arrebol
És tão ardente, já vês o meu lume.

POETAS ILUMINADOS!

Os poetas têm luz!
Alguns clareiam a escuridão da alma,
Outros…
Iluminam o amor!
Mas todos sem exceção…
Acendem com luz uma paixão…
E deixam cintilante…
A cor do coração!
Sim, os poetas têm luz!
Carregam em sua inspiração
A claridade da felicidade…
Ou a lâmpada da razão!
Alguns têm a luz das estrelas,
Outros, o brilho da lua,
Mas todos sem exceção…
Têm a brilhante luz da emoção.

Á musa sensual Marleninha

Vejo-a tão forte, nua como a Musa…
Amar! Sentir o teu peito… Sem dor!
Às loas vão-te o beijo, meu Amor.
Sim! Até que o meu beijo nos seduza!
Dá-me a nudez, que foste a cor confusa
Falas do amor – o beijo encantador.
Ontem à noite, ei-la o véu sedutor:
“Eras tão bela! A flor que nos produza!”
Inda te amo a beleza, pois às flores
Ao bulir do teu seio, sim aos vultos
Aos dois carinhos; ó vento das cores!…
Inda te amo a volúpia, a ti do seio…
Ó musa do deleite! À flor dos cultos!
Banhas em mim às volúpias do anseio.

Em Teus Olhos Florestas

Em teus olhos florestas
acendem palavras
demarcadas pelo espanto do invasor
O riso é flor em marcha
d’alma envolvida em dor
Em tua boca o território
se recolhe à taba
e escondes tua nudez
como fosse praga
A cicatriz já foi posta
em tua alma mata
e tua garganta vomita canções
de saudades vindas
e um passado que não deságua
Vontade de ser mãe
terra saudade da ausência
de quem ficou
nos limites extremos
entre a civilização e a farsa
e a falta de pudor
do explorador
A tua tribo se levanta
e o arco alcança
a flecha que não foi
arremessada atinge
o sangue do arremessador
-a submissão do braço
não confessa a fervura
da idéia
E teu canto graúna
assume a bravura
de uma graça que não era
para a guerra.

Chega de Saudade

Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.


Vinicius de Moraes

Felicidade

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. 
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. 
Se achar que precisa voltar, volte! 
Se perceber que precisa seguir, siga! 
Se estiver tudo errado, comece novamente. 
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a. 
Se perder um amor, não se perca! 
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa